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2 motivos para veto nas cirurgias plásticas para transgêneros

Existe um processo muito longo para quem se identifica como transgênero. Desde o momento em que há a identificação até o fim do processo, que pode acontecer quando o físico já se assemelha com o gênero escolhido ou não, homens e mulheres trans precisam lidar com muitas questões internas e externas para subir cada um dos degraus existentes no processo de transição.

Em junho de 2018, a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a transexualidade do capítulo que a caracterizava como uma doença mental da Classificação Internacional de Doenças – um compêndio que serve de base para referências médicas. Agora, a questão é vista sob o ponto de vista médico como uma doença de saúde sexual e pode ser encontrada no capítulo que trata sobre isso. A decisão dos especialistas leva em conta que a mudança faz com que a questão da transgeneridade não seja vista como uma doença mental, mas, sim, um direito de autonomia da própria existência.

Concordando ou não com as classificações, outra questão enfrentada logo no início por transexuais no Brasil é a hormonização. De acordo com os especialistas, muitos homens e mulheres trans iniciam e até mesmo dão continuidade ao processo por conta própria o que pode causar problemas a longo prazo, como a alteração da função hepática, o aumento do risco de tromboembolismo, aumento da pressão arterial, queda de cabelo e acnes.

Como muitos procedimentos cirúrgicos são feitos após esse processo inicial, é importante a conscientização de que há certas limitações e até vetos do cirurgião plástico quanto a realização das cirurgias de transformação corporal, como, por exemplo, a masculinização torácica. Assim como em qualquer outro procedimento cirúrgico, as condições de saúde do paciente são fundamentais para dar prosseguimento aos procedimentos.

Quando o médico pode vetar uma cirurgia para transgêneros?

É muito raro haver o veto do médico em relação a realização de uma cirurgia para transexuais, porém há algumas exceções que podem levar o cirurgião a negar a realização do procedimento. O cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Pablo Huber, relata que em sua experiência profissional há duas situações em que ela pode ser negada:

  • Devido a idade do paciente, ou seja, pacientes menores de 18 anos precisam apresentar a indicação de um psiquiatra e a autorização e ciência dos genitores em relação a cirurgia plástica transexual. Caso contrário, o médico tem o direito de vetar a realização da cirurgia até que os critérios sejam cumpridos;
  • O status psiquiátrico do paciente também é fator para veto para a realização da cirurgia. Além da hormonização, a OMS recomenda que os transexuais também realizem acompanhamentos regulares com psiquiatras de forma que a transição seja trabalhada também no aspecto emocional e psicológico. 
  1. Caso o cirurgião perceba que o paciente tenha um caso psiquiátrico subjacente – transtorno bipolar ou piscose, entre outros – e este não esteja em tratamento, qualquer procedimento cirúrgico voltado a modificação corporal precisa ser repensada e até mesmo cancelada. “Desde que o problema esteja sendo acompanhado por um psiquiatra e esteja controlado, não há problema na realização da cirurgia. Caso contrário é um risco para o paciente sob o viés emocional e psicológico”, complementa Huber.

Buscar orientação de profissionais qualificados e preocupado com o bem-estar emocional e psicológico faz toda a diferença no processo de transformação. Cada degrau é importante e representa uma vitória para o indivíduo trans e estar amparado e com informações confiáveis é de extrema importância para resultados mais positivos.

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